A revolução automobilística da China: ameaça ou oportunidade para a Alemanha?
O ex-chefe de design da VW comenta os desafios e oportunidades apresentados à indústria automobilística alemã pela concorrência chinesa.

A revolução automobilística da China: ameaça ou oportunidade para a Alemanha?
Há muitos problemas na indústria automotiva! Os fabricantes de automóveis chineses estão a conquistar cada vez mais o mercado europeu e a colocar os gigantes locais sob forte pressão. Isto pode ser visto, entre outras coisas, nas palavras de Michael Zyciora, antigo chefe de design da Volkswagen, que agora trabalha na Changan, um dos fabricantes chineses emergentes em Chongqing. Ele descreve em entrevista ao FAZ que a adaptação à cultura e às formas de trabalho chinesas é tudo menos um passeio no parque.
Changan é descrito como um actor global que alcançou um sucesso particular no Médio Oriente. As exigências dos clientes chineses incluem não apenas tecnologias inovadoras e de alta qualidade, mas também design moderno. Embora a Changan planeie entrar gradualmente no mercado europeu, outros fabricantes chineses já descobriram os benefícios da mobilidade elétrica. A situação atual descreve isso operação do veículo como uma ameaça para os fabricantes de automóveis europeus, que poderão estar a caminhar para uma perda anual de mais de 7 mil milhões de euros até 2030.
Crescimento e desafios
Os desenvolvimentos na indústria não podem ser ignorados: marcas chinesas como a BYD estão a entrar no mercado e a tentar ali firmar-se. As previsões são alarmantes. As vendas dos fabricantes europeus na China poderão cair 39% até 2030, enquanto as importações de veículos fabricados na China poderão aumentar para 1,5 milhões de unidades. Os primeiros efeitos também já são visíveis no mercado de ações, à medida que os fabricantes de automóveis elétricos da China aumentam a pressão sobre as empresas automóveis europeias Revista Gerente relatado.
Mas quais são as razões desta recuperação asiática? As marcas chinesas são caracterizadas por processos bem ensaiados e baseados em dados na gestão corporativa. Zyciora descreve como é o dia a dia de trabalho na Changan: as reuniões do conselho são estruturadas e focadas em dados, o que é uma experiência completamente nova para ele. A ética e a eficiência do trabalho na China também são notáveis; longas semanas de trabalho não são incomuns.
Uma oportunidade para a Europa?
Outro tema é a produção local. As estratégias chinesas visam a construção de capacidades de produção na Europa, possivelmente até na Alemanha ou na Europa Oriental. Embora a Zyciora não tenha uma palavra a dizer diretamente nas decisões de localização, existe atualmente um diálogo sobre possíveis reduções de capacidade entre os fabricantes alemães.
Em resumo, pode dizer-se que a indústria automóvel europeia enfrenta enormes desafios, mas também oportunidades. Será emocionante ver como as marcas estabelecidas reagem e se conseguem se adaptar à nova realidade. Como Zyciora observa acertadamente, a Alemanha está presa num impasse de reformas - resta saber se conseguirá trazer uma lufada de ar fresco à indústria.