Rehlinger e o polêmico manifesto do SPD: paz ou regressão?
Anke Rehlinger, vice-líder do SPD, fala sobre política de paz e comenta polêmico manifesto na Alemanha.

Rehlinger e o polêmico manifesto do SPD: paz ou regressão?
No cenário político alemão, um novo manifesto dentro do SPD está a causar excitação e debates controversos. Em 11 de Junho de 2025, social-democratas proeminentes, incluindo Ralf Stegner e Rolf Mützenich, publicaram um documento apelando a uma correcção fundamental do rumo na política externa e de segurança. O objectivo deste manifesto é um regresso à política de détente e de diálogo com a Rússia, o que é uma questão delicada dadas as tensões em curso e a guerra na Ucrânia. Anke Rehlinger, primeira-ministra do Sarre e vice-presidente federal do SPD, comentou esta questão e explicou que não era uma das apoiantes do manifesto. Ela não foi informada de que tal manifesto estava sendo discutido e provavelmente não teria assinado, relata [Welt]().
Rehlinger enfatiza a necessidade de o SPD lidar com uma ampla variedade de opiniões. Segundo ela, isso deveria ser legítimo dentro do partido – mesmo que ela pessoalmente não compartilhe da opinião do manifesto. Ela explica ainda que a Rússia sob Vladimir Putin não é atualmente um interlocutor confiável. No entanto, ela vê a importância de debater publicamente a política de paz, à semelhança das discussões que ocorreram nos anos 80. Tendo em vista as próximas eleições para a conferência partidária, Rehlinger acredita que é crucial que o SPD encontre uma posição clara e unida para ganhar nova força.
Resistência ao manifesto
Contudo, não é apenas a opinião de Anke Rehlinger que questiona o manifesto. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, descreveu o documento como uma “negação da realidade”. Além disso, Adis Ahmetovic, porta-voz de política externa do grupo parlamentar do SPD, vê o conteúdo do manifesto como mais do que questionável. O investigador de paz e conflitos Thorsten Bonacker sublinha que o manifesto foi escrito no espírito da Guerra Fria e que o desarmamento não é considerado sensato na actual situação geopolítica. Outro crítico, o jornalista Gordon Repinski, vê o manifesto como um ataque a Lars Klingbeil, que quer se posicionar como candidato a chanceler; mostra que o equilíbrio dentro do SPD entre as forças do Chanceler Olaf Scholz e os apoiantes de esquerda do manifesto enfraqueceu, como afirma em [ZDF]().
Política de paz e responsabilidade internacional
O discurso sobre a paz e a política externa na Alemanha não é novo. O SPD sempre se posicionou como defensor de uma política restritiva de exportação de armas e apela a medidas de transparência nos negócios de armas. Ao mesmo tempo, procura-se uma relação de parceria com a Rússia, sempre em conformidade com o direito internacional. A Alemanha também defendeu o desarmamento e o controlo de armas e apela a novas iniciativas neste sentido. No passado, a Alemanha investiu não só na ajuda humanitária, como os mais de 4,5 mil milhões de euros para a crise síria, mas também na prevenção e estabilização de crises civis, de modo que é colocada uma clara ênfase na prevenção de conflitos, de acordo com o [site do grupo parlamentar do SPD]().
O SPD vê a política climática e a sua ligação com a política de paz como outra dimensão importante. O objectivo de se tornar neutro em termos de gases com efeito de estufa até 2050 exige uma repensação abrangente e apoio ao desenvolvimento democrático em África e noutras partes do mundo. Neste sentido, é claro que o próximo debate na conferência do partido SPD não girará apenas em torno da sua própria posição sobre o manifesto, mas também em torno das questões fundamentais da política externa alemã num mundo cada vez mais complexo.