Frankfurt condena torturadores: prisão perpétua para Alaa M.
Alaa M. foi condenado à prisão perpétua em Frankfurt (Oder) por tortura e crimes contra a humanidade.

Frankfurt condena torturadores: prisão perpétua para Alaa M.
O caso de Alaa M. ganhou as manchetes na Alemanha e em outros lugares nas últimas semanas. Durante os discursos finais de um processo judicial em Frankfurt, o arguido pareceu emocionado quando o seu advogado de defesa tentou apresentar uma perspectiva atenuante: Alaa M. foi uma vítima do seu tempo. Mas a seriedade das acusações contra ele não pode ser facilmente ignorada. Ele é acusado de torturar pelo menos 18 pessoas e cometer outro assassinato.
Embora Alaa M. negue veementemente os crimes e alegue que não trabalhou no hospital militar de Homs, mas sim em Damasco, o Tribunal Regional Superior de Frankfurt considerou-o culpado. O Ministério Público Federal exigiu uma punição severa: prisão perpétua e proibição profissional. A particular gravidade da culpa foi claramente visível para o juiz, o que fundamentou a condenação.
Duração e origem do processo
O julgamento, que durou quase três anos e meio e incluiu 188 dias de audiências, é um exemplo de como o sistema de justiça na Alemanha lida com crimes contra a humanidade. Isto não teria sido possível sem o chamado princípio jurídico universal, que permite que as violações do direito internacional sejam julgadas em todos os países. Na Alemanha, faz parte do quadro jurídico de combate aos crimes internacionais. Graças a este regulamento, o Tribunal Regional Superior de Frankfurt conseguiu processar Alaa M. pelos seus crimes, apesar de a maioria dos estados da UE se debater com desafios semelhantes.
O papel do princípio jurídico universal
O princípio do direito universal é um instrumento jurídico importante em muitos países, incluindo a Áustria, onde está ancorado na Secção 64 do Código Penal. Infelizmente, raramente é utilizado naqueles e noutros países da UE, muitas vezes devido à falta de recursos ou à ligação insuficiente aos interesses nacionais. Seria necessária uma acção rápida para fazer justiça às vítimas de crimes de guerra. De acordo com a Amnistia, vários países da UE incorporaram o princípio jurídico universal na sua legislação nacional, incluindo França, Bélgica e Alemanha.
No caso específico de Alaa M., foi a coragem de dois refugiados sírios que o identificaram como torturador que deu o pontapé inicial. As suas declarações levaram à prisão do acusado, que trabalhava como cirurgião ortopédico na Alemanha antes de as acusações contra ele serem conhecidas. Um sobrevivente fez um relato emocionado de sua odisséia e do assassinato de seu irmão, tornando o caso particularmente trágico.
A defesa baseou-se no facto de Alaa M. nunca ter trabalhado no hospital militar e de os depoimentos das testemunhas decorrerem de uma alegada conspiração. No entanto, o Ministério Público Federal rejeitou veementemente esta afirmação e enfatizou a credibilidade das testemunhas. Tais julgamentos mostram quão importante é lidar e processar tais crimes, a fim de garantir que os perpetradores sejam responsabilizados. O Centro Europeu dos Direitos Constitucionais e Humanos sublinha que uma análise sensível ao género de tais processos é essencial para identificar as desigualdades sociais que estão incorporadas em muitos dos casos em questão.
O caso de Alaa M. mostra de forma impressionante que, apesar de todos os obstáculos e dificuldades, a justiça pode ser colocada em destaque, mesmo que os actos violentos julgados sejam frequentemente caracterizados por um sofrimento inimaginável.