Tribunal Constitucional permite referendo: Berlim ficará livre de carros?
O Tribunal Constitucional de Berlim declarou admissível o referendo “Berlim sem carros”. Os cidadãos podem ajudar a moldar as coisas.

Tribunal Constitucional permite referendo: Berlim ficará livre de carros?
Um passo inovador para a política de transportes na capital: o Tribunal Constitucional de Berlim declarou admissível o referendo “Berlim sem carros”. O tribunal decidiu que a iniciativa pode continuar a prosseguir a lei proposta, o que deu um suspiro de alívio a muitos activistas dos transportes. Esta decisão poderá provocar mudanças duradouras em Berlim nos próximos anos. A iniciativa pretende proibir amplamente o tráfego de automóveis particulares dentro do anel S-Bahn, e os residentes só podem usar seus carros no máximo doze dias por ano, o que é conhecido como regra dos slots. Relatórios do Tagesspiegel que o Senado considerou este projeto constitucionalmente questionável.
A presidente do tribunal, Ludgera Selting, enfatizou que na sua decisão o tribunal não decidiu sobre a questão de saber se Berlim se tornará realmente livre de carros, mas apenas sobre a admissibilidade do processo de múltiplas fases para a participação dos cidadãos. O que é interessante é que os juízes não viram quaisquer restrições desproporcionais aos direitos civis e, portanto, não consideraram que os direitos dos cidadãos estivessem em risco no contexto da concepção do tráfego. Afinal, o uso da via pública não é um direito absoluto. A votação do referendo poderá ocorrer em breve, porque para dar o próximo passo, a iniciativa deve recolher pelo menos 170 mil assinaturas no prazo de quatro meses. Um referendo bem-sucedido resultaria então num referendo em que a maioria dos votos e um quarto de todos os eleitores elegíveis teriam de concordar. Espelho adicionado que a iniciativa já tinha recolhido mais de 50.000 assinaturas no verão de 2021 para iniciar o processo.
As preocupações e oportunidades
Mas o projecto também coloca desafios: embora os juízes tenham salientado que o regulamento prossegue objectivos de bem-estar público de alto nível, expressaram preocupações de que a sua implementação pudesse levar a estrangulamentos nos transportes públicos locais. O Senado de Berlim argumentou que a lei invade a competência federal em matéria de legislação rodoviária e, portanto, viola potencialmente a Lei Básica. No entanto, estas objecções não foram suficientes para que o tribunal impedisse o referendo. Relatórios RBB24 que a audiência durou quase quatro horas no total e estiveram presentes cerca de 80 ouvintes.
O Tribunal Constitucional deixou claro que o projecto de lei, que deverá ser implementado numa fase transitória de quatro anos, prevê pelo menos algumas excepções para pessoas com deficiência, serviços de emergência e determinado tráfego comercial. Este poderia ser um elemento importante para dissipar as preocupações dos críticos. O diálogo sobre o uso do espaço público na capital está sendo conduzido de forma mais intensa do que nunca. Os próximos meses poderão ser cruciais para a política de transportes de Berlim.