Controles fronteiriços em foco: estudantes sofrem com a nova realidade
René Pachmann critica os novos controlos fronteiriços na fronteira germano-polaca em Frankfurt (Oder), que estão a colocar pressão sobre os estudantes.

Controles fronteiriços em foco: estudantes sofrem com a nova realidade
Na semana passada, os controlos por parte das autoridades polacas aumentaram na fronteira germano-polaca. Isto não afeta apenas os passageiros, mas também os estudantes que atravessam regularmente a fronteira. René Pachmann, capelão universitário da Universidade Europeia Viadrina em Frankfurt (Oder), é particularmente afetado pela situação porque viaja frequentemente para Słubice. “A atmosfera nas cidades gémeas está a sofrer enormemente”, explica Pachmann, sublinhando que os estudantes internacionais têm dificuldades crescentes em conseguir cursos na Polónia e na Alemanha. O contacto com amigos e as compras na Polónia também são fortemente influenciados pelos controlos fronteiriços. Alguns estudantes evitam a cidade vizinha por medo de controlos racistas, que afectam particularmente as pessoas com pele escura ou com véu. Relatórios Domrádio.
O problema não é inteiramente novo. Numa declaração conjunta, as administrações municipais de Frankfurt (Oder) e Słubice criticaram as políticas fronteiriças de ambos os países. Sublinham que a reintrodução de controlos conduzirá a longos tempos de espera e restringirá significativamente a livre circulação de mercadorias e pessoas. Estas medidas não só prejudicam a economia local, mas também aumentam as tensões sociais e promovem uma cultura de exclusão em vez de integração. Particularmente preocupante é o alerta sobre um grupo de vigilantes polacos que controla pessoas e espalha informações falsas sob o pretexto de segurança. As cidades apelam aos seus cidadãos para que não participem em hostilidades contra estranhos. Relatórios RBB24.
Grupos vulneráveis afetados
Outro aspecto são os problemas existenciais dos refugiados que procuram protecção na fronteira germano-polaca. Estas são frequentemente rejeitadas, o que dificilmente está ancorado na consciência pública. Os estudantes e os cidadãos da região devem perguntar-se quanto calor humano resta numa Europa que se afasta cada vez mais dos seus princípios de abertura. Na verdade, existe uma tendência preocupante: embora os controlos fronteiriços tenham sido reforçados nos últimos anos, não existe uma ligação real entre controlos fronteiriços mais rigorosos e um declínio na migração de refugiados. Pelo contrário, os refugiados estão a adaptar-se de forma flexível às novas condições e as rotas de migração estão cada vez mais diversificadas. O serviço de comunicação social da Integração publicou números interessantes sobre este assunto..
Os actuais desenvolvimentos na fronteira levantam muitas questões. Embora as decisões políticas sejam muitas vezes tomadas numa perspectiva que dá prioridade à segurança e ao controlo, a coesão social na região está colocada em risco. O apelo à desescalada por parte da administração municipal é um passo importante para contrariar a situação tensa e construir uma ponte entre culturas. Os desafios só podem ser superados com sucesso através do diálogo conjunto e da manutenção de relacionamentos. Tendo em conta as inúmeras condições difíceis que os estudantes e outras pessoas que atravessam as fronteiras enfrentam atualmente, a abertura ao encontro e ao intercâmbio é mais necessária do que nunca.